sexta-feira, 6 de junho de 2014

Metrô Assombrado.

Hoje é dia de mais uma história de terror. Então fechem as portas, apaguem as luzes e coloquem aquela música de psicose de fundo enquanto lê, para dar aquela dose a mais de medo e suspense. Acomodem-se, porque essa história é longa, mas é ótima. Boa leitura. And here we go!!!



Dois amigos voltando de uma festa. Já é quase uma da manhã, em São Paulo. Eles precisam do metrô para voltar para casa. De sábado, o metrô fecha mais tarde. Durante a semana fecha meia noite, nos sábados fecha uma da manhã.
Eles pegam um dos últimos metros. Uma garota esbarra com um deles na estação, e depois fica trocando olhares com o rapaz, Pedro. Ela chega até a porta do trem em que Pedro e Leonardo entram, mas então ela percebe que esta pegando o sentido errado do metrô. Ela vai embora, e Pedro corre atrás dela, deixando seu amigo para trás.
- Oi! – diz Pedro.
- Olá... – responde a garota, meio sem jeito. Você não estava dentro do trem com seu amigo?
- Estava sim. Mas eu simplesmente precisava falar com você. Não podia deixar você ir embora assim.
- Que fofo! Qual seu nome?
- Pedro, muito prazer. Você é...?
- Daniela! – diz a moça, sorridente.
- Pena que está tão tarde, senão te chamaria pra sair agora! – Pedro fica feliz de ver que a moça era tão simpática quanto aparentava, além de bonita.
- Nem me fale! Tenho que pegar meu metrô pra ir pra casa!
- Me dá seu telefone! Te ligo pra marcamos alguma coisa.
Pedro anota o número dela e promete ligar no dia seguinte. Então o trem de Daniela chega e ela vai embora, dando um forte beijo na bochecha dele. Quando o rapaz volta para pegar o seu próprio metrô, percebe que o trem que seu amigo havia pegado era o último daquele sentido. Um dos guardas do metrô diz que ele precisa sair da estação, pois estava no horário de fechar a estação e não havia mais trens disponíveis.
Ele sai da estação República e se senta na praça ao lado. Ele percebe que há um mendigo dormindo ali perto. Ele não se importa muito, pois está com os pensamentos em outro lugar. Preocupado por não ter como voltar pra casa, e pensando na garota.
- Ei garoto! O metrô já fechou?! – diz repentinamente o mendigo.
- Sim, acabou de fechar...
- Eu sei por que o metrô fechou agora. Você sabe por que o metro fechou agora?! –retruca o mendigo inesperadamente.
- Por causa do horário, já passou da uma da manhã – responde Pedro, confuso.
- Sim e não.
- Como assim, sim e não?
- Sim, é porque já deu o horário. Mas há uma boa razão para o metrô fechar neste horário.
Pedro vendo que teria de esperar a madrugada toda até que o metrô abrisse novamente, pois não sabia andar de ônibus, começa a prestar atenção nas palavras do mendigo.
- Eu já trabalhei como maquinista, meu jovem. Eu era Cláudio Santos, o funcionário exemplar do metrô de São Paulo. Eu mesmo não acreditaria na história que estou prestes a te contar, se não tivesse visto com meus próprios olhos.
- Conte então, Cláudio Santos – diz em tom de brincadeira Pedro.
Ignorando a brincadeira, Cláudio começa a lhe contar sua história, como quem conta para uma criança que na verdade não existe Papai Noel nem Coelho da páscoa.
Claudio lhe diz que há muito tempo que o metrô não funciona de madrugada.
- Há alguns lugares subterrâneos, entre as estações, pra onde os trens vão em caso de defeito, ou na hora em que o expediente se encerra. Fui maquinista, e alguns meses depois que comecei a trabalhar, fui para o turno da noite. Uma das primeiras coisas que me disseram, era que seria contado pra mim um segredo absoluto, que eu não poderia comentar com ninguém. Pensando bem, mesmo que eu contasse, poucos acreditariam...
- Falaram que tinha a ver com as erupções do sol. Com as atividades magnéticas que o sol gerou em outros planetas, que deram vida para aquelas coisas que vieram pra cá. Mas na verdade ninguém sabe ao certo. O que se sabe realmente, é que elas moram no subterrâneo. E se locomovem nos túneis do metrô. Possuem hábitos noturnos, e sua dieta inclui qualquer coisa viva, mas elas adoram animais grandes, e principalmente seres humanos – disse sombriamente o mendigo.
- Por isso que o metrô fecha todos os dias à meia noite, de sábado à uma da manhã. E uma da manhã já é bem arriscado, pois em algumas épocas essas criaturas já estão se movendo neste horário – continuou Claudio.
- Não existem apenas em São Paulo. Em várias outras cidades ou campos existem essas criaturas, mas elas preferem a escuridão e lugares fechados. Só saem para se alimentar. Eu não acreditava nestas histórias, até aquela noite inesquecível. Minha última noite de trabalho – o ex-maquinista parecia um pouco perturbado.
- Foi quando levei um trem para a garagem. Na volta, ao invés de subir logo para a superfície, pela garagem dos trens, pensei ter ouvido um barulho estranho vindo dos túneis. Me aproximei para tentar enxergar, levando uma lanterna que encontrei ali por perto. Já era tarde, e eu era o último maquinista a deixar a garagem – apenas Claudio falava, enquanto Pedro prestava atenção em tudo, sem saber o que viria a seguir.
Não havia ninguém para testemunhar o som tão descomunal que foi ouvido naquela noite.
- Era como se máquinas triturassem ossos, e ao mesmo tempo era como o rugido de um animal gigantesco. Aquele som ecoou pelo túnel do metrô, congelando meus ossos. A única coisa que consegui fazer foi ficar estático, com a lanterna desligada em uma das mãos, ouvindo a respiração rasgante (como metal sendo raspado) ecoar longamente e cada vez mais próxima. Quando recuperei a sensibilidade das pernas e senti que havia me molhado, mijando em minhas calças, e a respiração sinistra estava razoavelmente próxima, liguei a lanterna e vagarosamente a apontei para frente. A visão foi tão perturbadora que deixei a lanterna cair e sai correndo em meio a escuridão, me orientando apenas pelas luzes de emergência da escada de saída da garagem e tropeçando em todas as coisas espalhadas pelo chão. Mas não importava isso. O que importava era aquilo que ele tinha certeza de ter encontrado.
Desde então Claudio nunca mais tinha tido coragem de entrar no metrô, abandonando seu trabalho e sua vida, pois tinha ficado tão perturbado com a visão que apenas bebendo conseguia esquecer um pouco de que tal monstruosidade existia. Desde então ele começara a morar na rua, sempre próximo a estação para que nunca fosse pego desprevenido em algum lugar, para que pudesse sempre ficar de olho se algo iria sair do metro. Para ter certeza de que não enlouquecera e imaginara tal criatura horrenda.
Pedro, meio atordoado com tal história, decide sair dali. Ele se recorda que existe um cyber café ali por perto, que funciona 24 horas, e decide passar o resto da noite ali. No caminho, ele percebe que tem algumas chamadas perdidas no celular, de seu amigo Leonardo. Ele tenta ligar para seu amigo a caminho do cyber café, mas a ligação não é completada, como se a bateria do celular de Leo tivesse acabado.
Pedro chega no café e coloca algumas horas em sua conta. Ele entra na internet, e depois de checar seus e-mails e contatos (nunca há nada de novo), ele se vê com horas pela frente e nada para fazer. Decide então pesquisar alguma coisa da história do mendigo, como se para provar para si mesmo que tal coisa era absurda, e conseguir tirar de sua cabeça de uma vez por todas (coisa que vinha tentando fazer desde que saíra de lá).
Ele pesquisa por monstros no metro, criaturas solares, e tudo que encontra são jogos e histórias em quadrinhos. Nada real. Depois de muito procurar, quando ele pesquisa por ruídos estranhos, ele encontra alguns vídeos bem incomuns. Vídeos de pessoas que conseguiram gravar uma série de barulhos estranhos que acontecem ao redor do mundo. Em lugares abertos, geralmente a noite (embora nem todos fossem a noite), vários ruídos estranhos vindos pelo ar, como se fossem rugidos de uma criatura gigantesca, feita com canos e placas de metal que são balançadas, arranhadas e quebradas quando a criatura grita.
Pesquisando sobre erupções solares, Pedro descobriu que elas aumentam o campo magnético ao redor do sol... As coisas da história do mendigo começavam a se encaixar, mas isso não queria dizer que era verdade, claro que não. Pedro olha no relógio e vê que já são 4h30, está próximo ao horário que o metrô começa a funcionar novamente. Ele encerra seu tempo no computador e vai para a estação.
As ruas estão vazias, como era de se esperar. Pedro entra na estação e nem percebe que os portões estão ligeiramente tortos nas dobradiças. Pedro está passando pela catraca, quando ouve um barulho distante vindo lá de cima, da rua. Ele pensa que já é hora dos trabalhadores entrarem na fábrica que deve ter ali por perto.
Pedro não está com medo, e continua repetindo isso para si mesmo. Repetindo tanto que ao pegar seu celular para olhar o horário, só percebe que há um ícone de mensagem de voz em seu celular. Coisa que não havia reparado horas atrás. Pedro não percebeu que o relógio no cyber café não havia sido ajustado com o horário de verão, e que na verdade eram 3h30 da manhã ainda. Também não se dá conta que a estação está deserta. Vendo apenas o ícone de mensagem de voz, Pedro decide ligar para escutar a gravação, preocupado com seu amigo Leonardo que tentara ligar para ele mais cedo. Pedro disca o número da caixa postal e aguarda na linha com apreensão. “Ei Pedro, é o Leo, cara! Foi mal por te ligar esse horário, tu deve estar com a mina, né! Eu to no metrô ainda...”. Pedro percebe que a respiração de seu amigo está ofegante, e que há alguns barulhos no fundo. “Cara... O metrô parou. To sozinho aqui no vagão... Tinha acabado de sair de Tiradentes....”. Pedro percebe que seu amigo está na verdade cochichando, enquanto os barulhos no fundo começam a aumentar. Como se o trem estivesse sendo esmagado, ou algo assim. “As luzes estão fracas, cara. Não da pra ver quase nada. Tem alguma coisa acontecendo, parece que o trem tá sendo cortado, lá na frente, cara! Me aju...”. Eis então que o barulho aumenta ao ponto de não conseguir mais ouvir Leonardo. Metal sendo cortado e arranhado, como se estivesse sendo cortado bruscamente. Pedro escuta um baque, provavelmente o celular de Leo caindo no chão. De repente, o barulho para. Há um choro no fundo da gravação, e o silêncio repentino. Quando um barulho tão alto começa, a ligação começa a chiar e um grito é cortado ao meio pela voz que diz “Mensagem concluída! Disque 1 para ouvir novamente, 2 para apagar a mensagem e 0 para voltar ao menu anterior”.
Pedro não consegue se mover. Ele se senta, encostado no pilar onde parara pra usar o celular. Ele segura o celular na mão, e seu coração está quase saindo pela boca. Tudo que o mendigo falou era verdade. Essa é a única explicação. Depois de se acalmar um pouco, Pedro consegue ver o horário em seu celular. São 4 da manhã.
Mas ainda há uma coisa que Pedro não consegue entender. Porque ninguém sabe disto? Porque ninguém nunca viu nenhuma criatura destas por aí? Ele chega à conclusão de que se uma pessoa vê... deve ser tarde demais para a pessoa, assim como foi para Leo.
Uma dor grande pela perda de seu amigo se abate sobre ele.
Pedro se recupera e olha novamente no celular. Pensando com mais clareza, ele se dá conta de que não era para o metrô estar aberto ainda, pelo horário. Ele se lembra dos vídeos dos barulhos estranhos ao redor do mundo, e nenhum deles estava no metrô. Todos estavam em casas ou lugares abertos, como praças. Pedro se lembra que tais criaturas gostam de lugares escuros. Se há tais criaturas nos túneis de metrô de São Paulo, e ninguém nunca descobriu... E se elas conseguem sair do metrô, elas conseguem também voltar.
Não era para o metrô estar aberto ainda.
Pedro escuta um grunhido alto vindo da entrada do Metrô. Não há mais para onde fugir.

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