segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Clarice e Eu

A escritora Clarice Lispector, disse uma vez em uma entrevista a seguinte frase: "Raiva. Eu sinto raiva comigo mesma. Sei lá, tô meio cansada. Cansada de mim mesma. Agora eu morri. Vamos ver se eu renasço de novo. Por enquanto estou morta". E essa frase me levou à uma série de questionamentos e conceitos pessoais. E mais do que isso, me identifiquei. Pois, houve um tempo, em que eu me sentia assim todos os dias... Raiva, cansaço (mental e físico) e a sensação de morte. Estava cansada das babaquices alheias, da hipocrisia, da corrupção, do marasmo, da ignorância, da frieza, da manipulação da comunicação de massa, da sonolência dos telespectadores, cansada do egoísmo, dos preconceitos. Dessa situação onde tudo está tão robótico, decorado, copiado, alisado, alienado e preso. E eu sinto raiva por tudo isso, ao enxergar a vida como ela realmente é, de forma nua e crua, passei a me tornar solitária. Eu tinha medo do que pudesse me acontecer, diante das circunstâncias, e também me enojava essa situação, eu queria estar longe disso tudo. E na ausência de contato visual e físico, eu fui até esquecendo de como é me relacionar com as pessoas, me senti estranha á quase tudo que se encontrava fora do meu quarto. Mas, me acostumei e até me simpatizei com a minha própria companhia. Mas, mesmo sendo uma escolha minha e eu em partes gostando, eu me sentia morta. Pouco a pouco, fui perdendo a vontade de sair daquele quarto escuro, fui perdendo o interesse nas pessoas, perdi o sono durante noites, perdi a fé e a esperança, mas, pouco a pouco, também encontrei formas de sobrevivência, era morrer e renascer todos os dias. Acho que eu já vivi cerca de dez ou quinze mil vidas...


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