Uma vez, Sasha Grey disse em uma entrevista "A percepção geral da sociedade é que as mulheres devem ser encaradas como crianças: elas podem ser vistas, mas não precisam ser ouvidas". Eu sempre achei um saco esse estereotipo de mulher: desequilibrada, à beira de um ataque, surtada, histérica, "burra", santa e sentimentalista ao extremo que a sociedade (lê-se: homens) criou. É claro que uma mulher assim é muito mais fácil de se manipular, e é isso que as pessoas querem e gostam, principalmente alguns homens. E quando a mulher não se enquadra nesse padrão, ela acaba sendo mal vista. E eu, sendo mulher, me sinto muito incomodada com essa situação toda, de ser tratada que nem criança eternamente. Não significa também, que ser assim é inválido ou errado, mas, se sentir obrigada a agir assim, é. Querem controlar tudo que uma mulher faz: a forma como ela senta, como ela fala (não podemos falar sobre sexo ou palavrão sem sermos taxadas de algo pejorativo), com quantos homens ela se relaciona amorosamente ou sexualmente, e nem videogame e futebol podemos gostar sem sermos vítimas de piadinhas machistas, por acharem que é coisa de homem, entre outras coisas. Eu sempre achei um saco também essa rivalidade entre as mulheres, por causa de corpo, roupa e homem. Não me interesso por culinária, novela, crianças, liquidações e detesto cor de rosa. Mas, mesmo não me encaixando nesse estereótipo, eu ainda sim sou delicada, vaidosa, sentimentalista e sento de pernas fechadas (risos). Mas, não faço disso uma necessidade. Como se eu precisasse ser assim o tempo todo para provar algo para alguém. E eu admiro a Sasha, não porque eu quero ser atriz pornô ou porque sou pervertida, mas sim porque ela, por ser mulher também, é uma pessoa que pensa além do óbvio, que saiu da inércia do conformismo, dessas regras e pensamentos machistas. E assim como ela, não me considero uma feminista, até porque esse termo se tornou relativo hoje em dia. Também não a admiro necessariamente por ser ex atriz pornô, mas sim pela sua coragem de ser livre, sem medo e pudor, diante de tanta opressão direcionada ao sexo feminino. E por ela tentar transmitir essa mensagem para todas as mulheres do mundo. E não se trata apenas da liberdade da mulher, em suas relações sexuais, mas pra tudo na vida. Acredito eu, que ela usou o sexo como principal fator para essa demonstração (tanto em seus vídeos, quanto agora em seu livro), por ainda ser considerado um tabu, e um assunto onde mulheres não podem falar livremente a respeito. Eu não quero ser atriz pornô e nem quero me relacionar com trocentos caras, mas quero ser livre, de machismos e todos os tipos de preconceitos vindo de homens e até mesmo das próprias mulheres. Pra finalizar, vou deixar uma frase, e espero que muita gente possa refletir melhor a respeito. E é claro que ser livre não significa que você tem que sair por aí e usar e até mesmo abusar da sua própria sexualidade, ou odiar os homens, mas é você poder ser quem você é, ouvir e ser ouvida, respeitada, livre de preconceitos e regras toscas e assim, ser feliz.
"Sonho com o dia em que as pessoas não regulem o que as outras façam com seu corpo. Sonho com o dia em que vou encontrar a graça no sexo. Essa graça estará naquela palavra mais piegas de toda a humanidade: o amor.
Também espero pelo dia que possamos falar de sexo com naturalidade, como um assunto normal, e mais ainda como algo individual. Nossa geração tem uma liberdade infinitamente maior para falar de sexo do que a geração de nossos pais, por exemplo. Mas apesar disso, o assunto ainda está cercado por uma 'ditadura', onde pensar diferente é receber um atestado de anormal, porque afinal, "sexo é tudo igual". As pessoas podem usar roupas de personalidades diferentes, ouvir estilos musicais diferentes, mas no sexo, ai daquele que fugir do pensamento adotado como padrão."

Concordo com você. Esse machismo tem mesmo que acabar. Tenho posts no meu blog sobre isso também, acho muito legal conhecer mais pessoas com essa mentalidade. Está de parabéns.
ResponderExcluirQue bom que você gostou, Ana Luiza :D
ResponderExcluirObrigada mesmo. E me passa o link do seu blog, se puder. Fiquei curiosa pra ler a respeito.
Na boa, achei esse texto seu bem politicamente correto, quase um "mantra" dos tempos modernos...
ResponderExcluirVou entender isso como um elogio. Obrigada, Cláudio :D
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